Sofre de FoMO? O que é
o “medo de ficar de fora”?

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Quantas vezes você já ouviu pessoas pedindo para você sair do celular e prestar atenção no que está acontecendo a sua volta? De quanto em quanto tempo você checa o celular? Você já se sentiu mal ao acompanhar os eventos e fotos de outras pessoas e ver que todos parecem estar fazendo alguma coisa (muito) melhor que você? Você não descansa enquanto não chega ao fim de sua timeline, só para garantir que não tem mais nenhuma novidade?

Se você se identificou com qualquer um destes sintomas, muito provavelmente você está sofrendo de FoMO (Fear Of Missing Out). Esta expressão foi criada pelo estrategista de marketing norte americano Dan Herman e depois de alguns anos, dois pesquisadores de Harvard e Oxford, Patrick McGinnis e Andrew Przybylski respectivamente, explicaram o FoMO como o desejo de estar conectado o tempo todo com o que os outros estão fazendo.

Mas este sentimento não é completamente novo. O medo de ficar de fora do que as outras pessoas estão vivendo sempre houve, mas os sintomas disso vêm ficando mais perceptíveis porque a tecnologia nos traz muito mais informação e conexão do que antes, ou seja, é quase impossível não sermos impactados por eventos, fotos e comentários que nos mostram o que está acontecendo no mundo enquanto nós estamos fazendo outras coisas. Como o excesso de estímulos trazido pelas novas ferramentas digitais ainda é algo muito novo, acabamos não sabendo lidar muito bem com tudo isso, não sabendo por exemplo quando é hora de desacelerar ou desconectar.

Quando estamos trabalhando o EU CRIATIVO há lados positivos e negativos dessa conexão – ou desconexão. Um positivo, por exemplo, é que ao estar conectado você tem a possibilidade de receber muita informação boa, criativa e interessante, e assim, criar novas referências para alimentar sua mente criativa – uma vez que você está ali plugado em tudo que acontece. Porém, se você estiver realmente muito viciado nesse consumo virtual e somente usar isso para alimentar suas ideias, talvez, você não consiga saber como usá-las para ir além desse consumo “passivo e virtual”. E trabalhar a experiência real – que hoje tem um valor altíssimo em qualquer mercado, já que muita gente não sai de trás das telas – é essencial para sentir a criatividade de forma mais profunda. Afinal, os aprendizados e referências REAIS são fixados na mente usando todos – ou quase – os sentidos (olfato, paladar, audição, tato, visão) e isso só pode ser feito de uma forma integral na vida real. Pense nisso!

Uma pesquisa interessante que faz a gente refletir é o trabalho de  Adam Alter, psicólogo e autor do livro “Irresistible”, onde mostra que o número de horas que gastamos interagindo com as telinhas praticamente dobrou nos últimos 10 anos, a ponto de o tempo que dedicamos às atividades pessoais onde desenvolvemos nossos hobbies, relacionamentos pessoais, onde pensamos de verdade em nossas vidas e somos criativos, onde olhamos para trás e tentamos ver se nossas vidas fazem sentido, praticamente está sumindo, o que é preocupante. Além disso, sintomas como mau humor, stress, ansiedade e até depressão são comuns em pessoas que sofrem de FoMO. Por isso, se você é uma pessoa hiperconectada, é bom estar atento e refletir o quanto este comportamento está fazendo você se sentir mal e ficar paralisado no dia a dia, deixando de viver o que realmente está acontecendo ao seu redor.

Em sua palestra dada no ano passado no evento TED, Adam dá algumas dicas para se manter saudável mesmo com tanta tecnologia à disposição, como por exemplo, estabelecer que no horário das refeições, o celular deve ficar longe da mesa. Confira a palestra dele clicando aqui.

Outro autor que fala sobre essa desconexão é William Powers, autor do livro “O BlackBerry de Hamlet”, no qual diz que “tela é, de longe, o melhor lugar para divulgar uma mensagem hoje em dia e não há nada de errado nisso. A mensagem é que as pessoas estão passando dos limites com as telas, então é preciso estar lá, pois é lá que estão os mais atingidos pelo problema.” Ou seja, é preciso um equilíbrio entre o mundo real e o virtual. Este livro, aliás, é recomendadíssimo a todo mundo que busca uma nova forma de viver com a tecnologia de um jeito mais consciente. Além de nos fazer refletir sobre vários aspectos, o autor nos dá algumas ideias de por onde podemos começar essa desconexão saudável de forma prática e trazendo reflexões que conectam essa tecnologia a sabedoria de grandes pensadores e artistas como Platão, Sócrates, Shakespeare, entres outros.

Capa do livro “Hamlet’s Blackberry”, de William Powers. Compre na Amazon aqui!

Então aqui fica um convite: abandone o FoMO e abrace o JoMO (Joy Of Missing Out, ou em português, “alegria/prazer por estar de fora”). Muitas pessoas sentem prazer em não estar no lugar comum e viver experiências únicas, em seu próprio ritmo. Então desacelere, reserve um tempo para você mesmo e para as pessoas que você gosta, esteja realmente presente nos momentos que a vida te coloca. Com certeza esta desconexão e o olhar para si mesmo irão lhe trazer muitos benefícios para a sua saúde mental e para a sua criatividade, pois como afirma Susan Cain, escritora e conferencista norte-americana, autora do livro “O Poder dos Quietos”, “produzir um trabalho profundo e original muitas vezes requer ficar sentado, pensando, bolando estratégias” – e se você está conectado o tempo todo, fica impossível fazer isso (#ficaadica!).

Tati Sampaio é co-fundadora do Mosaico Criativo, uma escola online em rede, que conecta pessoas que já entenderam e estão realizando na lógica do Novo Mundo, com aquelas que não querem ficar para trás e desejam se desenvolver para o futuro que já chegou. Adora pessoas, estar junto, ajudar e ser ajudada. No mundo corporativo, trabalha com inovação na área da Saúde, ajudando a empresa a se reinventar e se preparar para os desafios e oportunidades do Novo Mundo.

Foto da capa: Matt Chinworth

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