Vanessa Greco ensina 7 maneiras de aplicar a criatividade

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Quando alguém te pergunta “Você se considera criativo?”, que você normalmente responde? Sim, talvez, não sei? Vanessa Almada Greco, professora e gestora de talentos e desenvolvimento organizacional , diz que as respostas costumam se dividir como no gráfico abaixo:

E por que será que temos dificuldade de nos considerarmos criativos? E acredite ou não, até os profissionais que trabalham em algumas das 15 áreas da Economia Criativa, em algum momento de sua carreira, vão dizer que não são criativos – uma espécie de “crise de esgotamento criativo”, tema que podemos abordar em outro artigo. Mas, o fato é que criatividade é erroneamente atrelada a um dom (sim, ainda continuam acreditando nisso em pleno século XXI, cê acha?!), quando na realidade é uma característica humana inata (que nasce com a gente) e, que para muitos, também é considerada uma habilidade a ser despertada – principalmente por para aqueles que praticam ou desenvolvem ao longo de sua vida, uma coisa que alimentamos e retro-alimentamos o tempo todo.

O erro está em a gente se comparar a nomes de famosos como o cientista Albert Einstein, a cantora Lady Gaga, inventor Steve Jobs ou Thomas Edison, e por aí vai. Lembre-se: eles foram/são pessoas como você, que apenas se dedicaram a fazer aquilo que mais amavam, tinham muito talento para, e conseguiram ter sucesso em compartilhá-la. A ideia central desses profissionais era o de estar sempre buscando fazer ou descobrir coisas que ainda não existiam ou que ninguém havia feito como eles fizeram. E você pode ser ou fazer algo nesse sentido também.

“Atrelamos muito a criatividade às artes e/ou habilidades que pensamos não sermos capazes de atingir. E ai, quando nós nos comparamos com grandes nomes, vemos que estamos longe de chegar naquele nível, mas não nos comparamos com o nosso próprio potencial, com o nosso contexto, e acabamos afastando a ideia de que nem todos podem ser criativos”

– afirma Vanessa Greco

A criatividade é algo que a gente pode praticar, entender, ampliar e usar ao nosso favor. Porém, ela é tolhida ao longo da nossa educação, no qual só nos é permitido usar, em alguns momentos específicos da vida, ou pra o tal “tem hora pra isso”. Por exemplo, na aula de Artes, no curso de teatro, em alguma atividade mais artística. Por isso, preste atenção nas dicas que Vanessa compartilhou com a gente, e comece a confiar que você pode ser o próximo inventor, criador ou desenvolvedor de algo que ninguém fez antes como você irá fazer.

1) NÃO TENHA PREGUIÇA DE EXPERIMENTAR E CONHECER COISAS NOVAS… AUMENTE O SEU REPERTÓRIO DE EXPERIÊNCIAS

O nosso repertório é como se fosse uma bagagem de mão do nosso cérebro. São coisas que precisamos e que, a qualquer momento, poderemos precisar usar. Para deixar essa bagagem mais criativa, você precisa viver experiências diferentes das que viveu até agora e se nutrir de coisas novas, de âmbitos distintos e, assim, aumentar a variedade dos “itens” da sua bagagem.

Como ter mais repertório? Busque por novos estímulos. Algumas ideias simples como comer de forma diferente (usando colher ou outros tipos de talheres), provar comidas diferentes, escutar novos estímulos musicais, fazer um passeio que você nunca fez. A melhor forma de memorizar o novo item da bagagem é usar os sentidos.

2) VOCÊ PRECISA ACREDITAR QUE VOCÊ É CAPAZ

Olhe para suas crenças. Se toda vez que o tema CRIATIVIDADE surgir, você pensar negativamente sobre sua relação criativa consigo mesmo, você vai se acomodar, vai querer resolver os problemas da forma mais comum e mais fácil. Então, é preciso mudar a crença a respeito de si mesmo e de como você aceita (ou não) os padrões ao seu redor. O quanto você quer ser uma pessoa criativa e fazer com que isso seja não um talento seu, mas algo que você sabe que é capaz….pois é natural! É do ser humano, certo? 😉

3) FORCE SEU CÉREBRO A PENSAR DIFERENTE

Nosso cérebro é meio bobo, ele acessa emoções como se o ocorrido estivesse acontecendo naquele momento. Sabe quando você teve um noite maravilhosa com quem ama, e no dia seguinte você ainda se sente bobo? Ou quando alguém te causou um prejuízo e você insiste em trazer o sentimento à tona sempre que lembra? É assim que a gente funciona, trazendo emoções passadas e expectativas futuras para o aqui e agora.

Porém, na hora de SER CRIATIVO precisamos mostrar para nós mesmos, que não importa as emoções que vivemos no passado que vetaram nossa criatividade ou das ideias que todos acharam tolas…nós precisamos reorganizar nossas emoções e mostrar que o que não deu certo um dia, pode dar certo hoje e isso vale na hora de elevar sua autoconfiança criativa. Aí você nos questiona: “fácil falar, difícil fazer”. Ué, desde quando alguma coisa que você fez, foi fácil de fazer? Por isso, assim que sua mente começar a trazer lembranças, olhe e fale: “Aham, ok, mas isso já passou ou isso não existe. Deixa eu trabalhar AGORA, porque é o agora que importa!”.

Tem um ditado que fala: Quem acerta, não questiona. Isso significa que quando você acerta a ideia ou uma ação, você não faz perguntas, reflexões. Ok, isso pode e vai acontecer. Mas não sempre e nem toda hora. Por isso, a partir dos erros que você viveu e vai viver, aproveite pra evoluir, é o chamado da verdade pra fazer diferente. E ser criativo…é fazer diferente? Captou!?

4) APROVEITE OS PROBLEMAS PARA CRIAR NOVAS SOLUÇÕES, E FOQUE EM PROBLEMAS ESPECÍFICOS

Nós somos induzidos a dar respostas baseadas no que nós já conhecemos. Nosso cérebro preenche lacunas pois ele não lida bem com lacunas, então surgiu um problema, a tendência é ele ir preenchendo com soluções prontas – sem ter que pensar muito. Aí vem a turma toda:, a imaginação, crenças, experiências passadas. Para que essa reorganização funcione, precisamos fazer com que os problemas sejam trabalhados de forma a trazer soluções não testadas. E de preferência, que sejam bem pontuais. Uma de cada vez. Por exemplo, “vou ajudar a resolver a fome das crianças na instituição x do meu bairro“, ao invés de “quero resolver a fome do mundo.”  Ao fazer isso, conseguimos traçar um plano de como agir, e fica mais fácil ver resultados.

5) SE DESCONECTE DO PROBLEMA

Sabe….por mais que a gente saiba que tem coisa que tem que esperar ou deixar rolar, a gente insiste em querer resolver pra ontem. Uma boa ideia para solucionar um problema, muitas vezes, só vem com a desconexão de você e esse problema. Viajar, sair pra ver alguém que você gosta, se permitir divertir, relaxar em prazeres que tragam algum sentido – não encher a cara e não lembrar do que fez, mas sim coisas que te fazem sentir a vida naquele momento e registrá-la….e aí você relaxa de verdade…e quando voltar para resolver o problema, a mente não estará sob estresse maléfico.

Criar é algo ligado a prazer, a liberdade, a fluidez. Então é preciso que você esteja assim também. Depois de clarear a mente, respirar fundo, voltamos com maior concentração e, talvez, novas ideias. No stress! Claro que há pessoas que também têm boas ideias sob pressão….mas aí é outro caso e, geralmente, se encontra a solução mais rápida – o tal do improviso – mas não necessariamente a melhor. Não dá pra saber. O que dá é que uma mente leve e relaxada, pensar melhor do que uma sob estresse e pressão.

6) É IMPORTANTE PEDIR A OPINIÃO DOS OUTROS

Pedir novas ideias, aquele famoso feedback, poderá te ajudar a melhorar na busca de uma solução. Às vezes, estamos tão ligados ao problema, que não conseguimos enxergar novos caminhos e possibilidades pra que ele seja resolvido. Mas, é importante ressaltar que você deve pedir a opinião de pessoas que querem seu bem, saibam exatamente do que você está falando, não irão te julgar e, apenas, apontar críticas construtivas, além de propor soluções levando em consideração o que você quer, e não o que ela acha melhor. Ou seja, escolha bem as pessoas na qual você vai pedir ajuda para que a solução seja criativa e dentro daquilo que você deseja.

7) PENSE NOS SEUS MOTIVOS – E PENSE POSITIVO!

Quando você coloca algum significado positivo no que você está fazendo, sua criatividade se eleva e se fortalece dentro de você. Afinal, por que você faria alguma coisa que não vai te ajudar, não vai significar nada? Quando você atrela um significado positivo, você traz junto a sua razão de estar criando ou resolvendo o problema x que foi destinado à você resolver! De um jeito ou de outro, o final é sempre positivo. Acredite!

Esses livros foram indicados pela Vanessa e são ótimas leituras que vão fazer você refletir sobre o desenvolvimento da sua criatividade. Compre o livro da Carol Dweck clicando aqui e o do Roberto Menna Barreto clicando aqui. (só pra lembrar, não estamos sendo patrocinados!)

E se você quiser saber como a criatividade acontece no seu cérebro, ASSISTA A ESSE DOCUMENTÁRIO – é curtinho! – da Netflix, “Como o Cérebro Cria” (2019). Clica aqui pra ver o trailer 😉

Foto da capa: Patricia Bernal

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