5 aprendizados não óbvios
para inovar na hora de educar

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Neste artigo vamos falar do óbvio-não-óbvio. O seu papel é entender e se divertir com as novas formas de educar ou aprender. E o nosso é mostrar as razões para que esse esforço de mudar valha a pena e você se sinta pronto para evoluir. Afinal, quem não quer? Tudo começa pela Educação. E através dela que a gente se torna mais humano, mais conectado, mais criativo, mais tudo.

Por isso, te convido a aprender com as educadoras Carla Arena, Leila Ribeiro e Samara Brito, que compartilharam conosco conselhos valiosos sobre uma educação mais criativa no Festival Path 2018. As ideias são muito boas e sugiro urgentemente que você comece a aplicá-las e testá-las no seu ambiente de trabalho. Bora?

Da esquerda para direita, Carla Arena, Leila Ribeiro e Samara Brito durante a palestra no Festival Path 2018. Foto: Patricia Bernal

1.Processo de Curadoria:

Segundo o livro A Era da Curadoria (ed. Papirus 7 Mares), de Mário Sérgio Cortella e Gilberto Dimenstein, (compre aqui!) estamos em um momento em que organizamos os espaços de convivência e de vida comum, estruturados em algumas instituições como a escola e os meios de comunicação em que, o responsável por coordenar as atividades têm o espírito do curador.

“O processo de curadoria também é a gente buscar intencionalmente lugares inspiradores, conhecer coisas novas, pessoas que estão fazendo processos diferentes e experimentando ideias disruptivas. Por isso valorizamos muito a iniciativa de os educadores sairem de seu lugar comum para explorar outras áreas, e não ir apenas à eventos ou espaços que falam de Educação”,

aconselha Leila Ribeiro, co-fundadora da Sala, uma empresa focada em quebrar com o processo de aprendizagem tradicional.

Áreas como Design, Moda, Engenharia, Cinema, Publicidade, Música, Ciências ou qualquer outra diferente da que você atua vão enriquecer a sua visão. “Ao fazer essa curadoria de ideias, pessoas e processos, nós começaremos a resolver os problemas da Educação tradicional que parou no tempo e ir para uma nova Era mais criativa nos modos de aprendizagem e ensino”, complementa Carla Arena, líder do Grupo de Educadores Google de Brasília e Educadora Inovadora certificada pelo Google.

E claro, além dessa pesquisa de processos, ideias, pessoas e lugares, um ponto muito importante nessa discussão acaba sempre afunilando para o uso das tecnologias. “Ensinar estratégias e técnicas de curadoria para os profissionais da educação junto a um aprendizado de como fazer uso da tecnologia disponível irá impactar diretamente na sala de aula”, afirma Carla. Por isso, é muito mais indicado abandonar a zona de conforto o mais rápido possível e começar a entender as tecnologias, experimentá-las, permití-las e, claro, usá-las para os processo de aprendizagem, uma vez que vão virar o seu braço direito na hora de ensinar/aprender. 

Miguel Thompson,  diretor do Instituto Singularidades, durante palestra no Festival Path 2018. Foto: Patricia Bernal.

Caso contrário, quem não fizer a mudança será considerado folclórico, bem pontuou Miguel Thompson, diretor do Instituto Singularidades e que participou da roda de discussão “É possível inovar no Ensino Superior”, que também aconteceu durante o Festival. E a responsabilidade não fica só nas mãos do educador. “É preciso que o estudante tenha consciência de que, se quer fazer uma faculdade, como os conhecimentos estão todos disponíveis, ou ele se torna um curador ou não terá chance alguma”, chama a atenção os autores do livro Era da Curadoria. Isso porque o excesso de informação pode fazer o efeito contrário e travar o conhecimento. Uma discussão que ficará para um próximo artigo.

REFLEXÃO >> A jornada da nova educação está só começando. Como dizia Charles Darwin: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente. Quem sobrevive é o mais disposto à mudança”.

Se você não sabe por onde começar a se informar – além daqui – o portal O Futuro das Coisas, hoje uma das maiores referências de conteúdos relacionados às novas tecnologias e comportamentos do futuro, é um bom começo. Inclusive eu participei de uma imersão teatral à la Black Mirror que trouxe um formato de palestra totalmente inovador. Para quem quiser saber mais sobre experiência – Leia a matéria aqui.  E é exatamente sobre esse tipo de experiência imersiva que vamos falar a seguir.  

Discussão após a experiência imersiva. Da esquerda para a direita: o ator Thiago Vignoli, Bruno Macedo, Lidia Zuin e Angelina Miranda, que interpretou o papel da psicóloga humanista. (Foto: Patrícia Bernal)

2.Processo de Experiência Imersiva:

A ideia desse processo de aprendizagem é que a experiência seja a moeda de valor. E são essas experiências que quebram com a estrutura convencional, o que significa ir em algum lugar completamente lúdico. O Museu do Sorvete, por exemplo, já de cara quebra a ideia de Museu, porque não é um. “Você está ali, completamente aberto a receber todas as sensações que cada ambiente te proporciona, e isso é uma experiências imersiva”, exalta Leila Ribeiro. 

Ficou com vontade de ir também né? Califórnia que nos aguarde! Agora, se você quer começar a criar uma experiência imersiva no seu ambiente de trabalho ou escola, vale a pena conhecer o projeto Curiouser, onde o desafio foi modificar a sala de professores para algo muito mais inspirador e que nunca existiu. “Essas experiencias imersivas são muito importantes pois nos fazem levar esses elementos que conhecemos por aí, para nosso ambiente de trabalho ou de educação”, conta Leila, criadora do projeto que se iniciou a partir de sua Tese “Curioser Lab: Uma experiência de Letramento Informacional e Midiático na Educação”.

Aliás, não precisa fazer uma grande reforma, já avisa Leila, antes de você falar que não tem verba pra isso. A ideia é transformar o local escolhido, com o que se tem, afinal, muitas vezes são nos pequenos detalhes que o novo pode surgir. Nos escritórios do Google espalhados pelo mundo, a cada 50 metros, há uma área de alimentação. “A ideia surgiu ao perceber que quando a fome batia, se deslocar a longas distâncias para comer poderia ser prejudicial ao processo criativo dos criativos e equipe. Mas há o outro lado. Durante esse curtos breaks, pode haver uma colisão entre pessoas que poderiam ajudar nesse processo, logo, a comida nesse caso é a experiência imersiva” explica Samara Brito, Co-fundadora do AMPLIFICA um projeto que é um marco em seu ideal de compartilhamento de aprendizados e experiências.

Inovação nem sempre é sinal de grandes mudanças. “A gente gosta de trabalhar pelas beiradas. Às vezes, a imersão vai ser no pátio da escola, um lugar óbvio que as pessoas não vêm como espaços de aprendizagem”, diz Leila. E se engana quem acha que essas dicas valem só pra quem trabalha com Educação. Você pode levar isso para qualquer ambiente, inclusive nas empresas tradicionais. Sabe o seu cantinho de trabalho? Então, comece por ele. Faça o mais criativo que puder, seja utilizando objetos que te inspirem, novas cores, frases motivacionais,  ou até mesmo iniciando processos de trabalhos que estimulem sua criatividade. – meditação, jogos, bate papo com alguém que você nunca conversou, caminhadas nas redondezas de onde você trabalha, canais de Youtube de assuntos variados, leitura de blogs e sites que falam de processos criativos, grupos de Facebook que gerem novas ideias de trabalho, enfim, o que tirar você da rotina.  “Você pode fazer dentro das condições do seu orçamento e liberdade, assim fará também com que as pessoas experimentem essas mudanças – no caso do seu próprio ambiente de trabalho – e quem sabe se inicie algo novo dentro da empresa. Já é um o começo”, diz Samara Brito.

E como bem pontuou Leila, hoje a experiência é o novo campo de batalha das empresas que querem oferecer novos atrativos à sua equipe ou público-alvo. “Quem oferece isso, conecta mais com pessoas, pois elas se reconhecem, trocam e faz com que se sintam estimuladas a continuar naquele ambiente ou consumir aquela marca”, diz. Um caso curioso citado, foi o de uma professora, do sul do país que, durante as aulas, levava chá para seus alunos (às vezes chimarrão), até que um dia, os próprios alunos começaram a levar chás em saquinhos para que ela os fizesse e eles experimentassem novos sabores durante as aulas. “Isso é imersão. Muitas vezes a ideia é simples, está bem na nossa cara e a gente não vê “, complementa.

3. Processo de Conexão com a Cidade:

De onde vêm as ideias brilhantes? 

O cineasta David Lynch traz boas sugestões. Para as educadoras elas pode vir de um café, de um coworking, de um parque ou de um museu – ao invés da sala dos professores onde comumente ocorrem as reuniões pedagógicas. “A ideia é perceber a cidade como espaços de aprendizagem, como se fosse uma comunidade viva, ativa e cheia de criatividade” diz Leila que desenvolveu sua pesquisa científica dentro de um café. “Nossa pesquisa era em torno de soluções criativas para processos de aprendizagem e nada melhor do que fazer isso fora da Universidade em um ambiente mais comum e confortável, usual”, explica.

Carla Arena nos conta um case bem interessante também. Um professor que morava na Cidade do Porto (Portugal) resolveu fazer um mapa dos lugares não óbvios para turistas junto com crianças e adolescentes. Quando os turistas acessavam esses pontos através de um app (e o sistema de geolocalização) as pessoas encontravam vídeos gravados daqueles lugares e que continham imagens de pessoas – por exemplo um sapateiro ou alguma profissão em extinção, ou até mesmo uma comunidade que representava o ambiente tradicional daquela região. “Nunca podemos esquecer que conexão com a cidade é uma conexão entre as pessoas”, relembra Samara Brito.

Os 15 lugares fora da curva do projeto SalaTrip que a educadora Leila Ribeiro visitou com o objetivo de buscar inspiração nos Estados Unidos.

4. Processo das Histórias Reais:

Você já ouviu falar na Salvation Moutain?

Pois a história por trás desse lugar e, principalmente quem o inventou, está marcada na história dos Estados Unidos para sempre e virou atração obrigatória para quem visita o estado americano – e quer se encantar com essa obra de arte. O que é e o que tem a ver com Educação?

Um homem chamado Leornad Knight passou 30 anos de sua vida pintando e criando palavras de amor em uma montanha de pedra na Califórnia. “Inicialmente se dedicou a pintura e a construção do balão que possuía 100 metros de circunferência. Então, em 1984 ele foi até o deserto da Califórnia para soltar o balão, mas infelizmente, mesmo com toda ajuda ele não inflou, pois era muito grande. Ficou muito triste por sua ideia não ter dado certo e resolveu trabalhar em uma montanha que tinha nos arredores. Ele começou a pintar essa montanha, mas todo o seu trabalho se perdeu 4 anos depois, quando um desabamento pôs tudo abaixo”, para ler a história toda clique aqui.  ou assista o vídeo abaixo.

E porque estou contando esse caso? Porque é através das histórias reais que podemos ensinar. “Seja as histórias do educador, de uma escola, do aluno, vemos o poder da narrativa e como ela conecta no processo de aprendizagem”, diz Samara Brito. Segunda ela, o professor entende muito melhor, quanto ouve outro professor contando o que ele fez para inovar a sala de aula. Histórias reais de quem realmente está ali, no batente do dia a dia para construir a Educação.

“Precisamos quebrar esse círculo de exclusão entre todos que estão participando do processo educativo, e colocar todo mundo pra compartilhar suas experiências” , acredita Leila.

5. Processo Keep Learning Fun:

“Se você chegar dentro de uma sala de aula hoje, até de ensino infantil onde o ambiente costuma ser mais lúdico, você vai ver crianças completamente entediadas, fazendo coisas como a gente está fazendo aqui agora: a gente falando e vocês ouvindo. Isso é muito chato” diz Leila, numa crítica construtiva ao formato de palestras do próprio Festival Path.

A ideia é propor um aprendizado – seja qual nível for – em lugares criativos, coloridos, divertidos, não comuns, estranhos e totalmente plurais. “É o olhar do não-óbvio que deve ser começado a ser praticado nos educadores que querem mudanças”, diz Leila. Na prática, Samara Brito explica: “A gente não trabalha com nenhuma capacitação em formato de palestra, a gente trabalha o tempo inteiro com a mão na massa, da hora que as pessoas chegam até a hora em que terminam, porque é essa experiência que a gente quer que eles levem para a sala de aula, o fazer“. Um dos processos que têm dados muitos bons resultados é o Design Thinking, clicando aqui, você tem um material completo de como aplicar isso no seu educar no projeto Design Thinking para Educadores.

Agora, a gente te deu várias ideias, links e informações para você começar a por a roda pra girar. Próxima passo? É com você!

E tem mais! Para quem quiser o material sobre essa 5 descobertas de processo criativos feita por Leila Ribeiro, pode fazer o download do material clicando aqui.

Obrigada por ler o artigo até aqui e espero que tenha lhe sido útil! 😉

Arte da capa: Grayjuice Art Studio

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4 pensou em “5 aprendizados não óbvios
para inovar na hora de educar

    1. Patricia Bernal Autor do post

      Oi Karla! Obrigada pelo comentário e por aprensentar esse projeto Sou Prof Lab, não conhecíamos! Vamos seguir vocês no instagram, talvez possam ser futuros parceiros dos projetos do @ihcriei 😉

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