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Patricia Bernal

Sobre Patricia Bernal

Sou fundadora e curadora do portal IH!CRIEI, apaixonada pela transformação que a criatividade humana pode impactar! Atualmente estudo o mercado criativo, transformação digital e tudo que envolve inovação em gestão e negócios criativos. Sou Jornalista, Fotógrafa, Filmmaker, Educadora e Palestrante, além de pesquisadora autônoma. Dentro de nossa classificação pra Economia Criativa, sou da área de Comunicação Instantânea, com especialização em conteúdo Multimídias e em StoryMídias, com especialização em Audiovisual. "Espero contribuir com um conteúdo que inspire e ajude as pessoas a fazer um melhor proveito da criatividade, gestão e autonomia de carreira e negócios nas áreas criativas e no mundo digital". Se quiser conhecer um pouco de meu olhar criativo, acesse www.patriciabernal.me

O poder da cultura criativa e do feedback
para o próximo passo da inovação

Existem desafios ao se implantar uma cultura criativa e inovadora com a prática do feedback sincero. Mas o modelo da Netflix pode ajudar

Quando se fala em inovação, se fala em novos comportamentos, mudanças estruturais, lideranças criativas, uma lista de soft skills e habilidades do futuro a serem desenvolvidas por uma toda equipe.

Mas, antes de fazer qualquer tipo de transformação cultural em uma empresa, CEOs, executivos e colaboradores precisam aprender a entender contextos, culturas e os objetivos que permeiam o negócio em que estão inseridos. Só assim poderão decidir com mais assertividade, se a empresa deve prezar pela inovação ou se é melhor apenas desenvolver processos e regras de forma segura e deixar que a inovação aconteça de fora pra dentro.

Lembrando que as empresas criativas necessitam criar novos produtos e serviços constantemente para que continuem sendo relevantes, o que não vale necessariamente para diversas outras indústrias, que focam mais na qualidade, segurança e fabricação de produtos idênticos, do que qualquer outra coisa.

No livro “A regra é não ter regras, a Netflix e a cultura da reinvenção” (Ed. Intrínseca), de Erin Meyer e Reed Hastings, os autores deixam bem claro que antes de implementar qualquer nova cultura criativa na empresa é preciso ter contextos bem estruturados. Ou seja, é necessário que se compreenda os impactos de cada decisão, diante da variedade de possibilidades, para que a liberdade venha com responsabilidade e o resultado de qualquer mudança não seja desastroso.

Se para ter inovação, é preciso ter liberdade, será que todos estão preparados para isso? 

Feedback é um presente? 

As opções de transformações culturais criativas em prol da inovação sugeridas pela Netflix variam entre ter uma maior dedicação na contratação e retenção dos melhores talentos para sua empresa, entender e trabalhar a tão complexa cultura do feedback e da sinceridade, fazer a remoção de controles e burocracias que impedem a inovação, aprender a lidar com a gestão da autonomia, entre outras.

Neste artigo vou me aprofundar em um ponto que considero aplicável a qualquer tipo de indústria, e não só as criativas, e também porque tenho experiência com esse tipo de abordagem na prática.

É um presente, talvez, para aqueles que sabem dar ou receber, não é mesmo? Pois, pra muita gente o melhor é se calar. Ainda mais em culturas que pautam a confiança na base de seus relacionamentos mais do que nas capacidades do indivíduo na execução de uma tarefa, como é o caso do Brasil e Japão, segundo pesquisa da Netflix publicada no livro, baseada nas escalas do The Culture Map, criado por Erin.

Além disso, após vivenciar a cultura do feedback em um curso de quatro meses que fiz, em 2019, sobre Liderança Criativa na Escola Polifonia, e passar por diversas dinâmicas de como dar o melhor feedback ao outro, trazer pontos a melhorar, assim como aprender a receber o que se pode melhorar, vivi na pele a dificuldade e os prazeres dessa sinceridade em grupo. 

Se na vida corporativa em geral, dar feedbacks sinceros é algo delicado e difícil, imagine em culturas que não estão acostumadas a fazer isso de forma transparente e encorajadora. A ideia do feedback nada tem a ver com ato de elogiar ou criticar. Tem a ver em mostrar, a partir do comportamento do outro, como a atitude dele está sendo uma barreira para sua própria evolução, a do projeto, do time e da empresa, de forma a ajudá-lo a ser um profissional melhor ainda, e não em criticá-lo com ofensas, mentalidades de competição ou inveja explícita. 

Por isso a Netflix trabalha constantemente para evoluir mais rápido com seu time e sua empresa na prática do feedback, assim como se preocupa em abordar esse valor (a sinceridade) de forma diferente em cada um de seus escritórios espalhados pelo mundo. Durante sua expansão para fora dos EUA e trabalhando com culturas tão distintas, viu que a ideia se tornou um grande problema para a empresa no que se refere ao engajamento e ao efeito positivo. E é por isso que o The Culture Map foi acionado.

Como aplicar a Cultura da Sinceridade

O Brasil entra nesse perfil “problemático” em relação a cultura norte-americana. Aqui, junta-se o hábito de não ser sincero em prol da segurança e da boa vizinhança no ambiente de trabalho, a uma cultura onde a confiança é baseada no relacionamento com o outro, e não nas tarefas que o mesmo executa, como mostra o gráfico abaixo:

cultura criativa

Ou seja, a famosa camaradagem pode ser um problema quando temos que dar um feedback sincero para o amigo/colega de um departamento, quando ambos não aprenderam a dar e receber o feedback sincero neste ambiente   ou até mesmo na vida. O jeito prático da Netflix para se treinar isso é o de aplicar o passo a passo seguinte:

Passo a passo da Netflix para dar e receber feedback

1.Alvo a alcançar: com quem você deseja falar diretamente para dar o feedback?

2.Ação específica: fale apenas sobre uma atitude pontual de melhoria que notou em uma situação específica, nunca misture diversas situações acumuladas em uma conversa de uma vez só, por isso a importância de falar o quanto antes.

3.Agradecer: agradeça sempre que receber um feedback.

4.Aceitar ou descartar: reflita, e então aceite ou descarte o feedback.

5.Adaptar: quando necessário, procure adaptar a forma de dar o feedback. Cada cultura é de um jeito e, se não for considerada a cultura do outro, o efeito pode ser negativo e não vai ajudar ninguém, o que não é o objetivo.

“O melhor ponto de partida é: só fale de uma pessoa aquilo que você diria na cara dela”, segundo lema da Netflix.

Por isso, ao pensar em aplicar a Cultura da Sinceridade na sua empresa, saiba que haverá dificuldades.

“Em culturas como a nossa, uma dica especial: Como será muito difícil esperar que as pessoas sejam espontâneas em darem feedbacks, o ideal é organizar com frequência encontros pontuais e formais para dar e receber os feedbacks”.

Assim, a empresa e todo o time irão evoluir mais rápido e errar menos. E não esqueça de discutir abertamente o que significa sinceridade entre as diferentes culturas e pessoas com quem você estiver trabalhando, afinal, antes de falar, devemos aprender a ouvir.

Não só na Netflix, mas em qualquer outra empresa criativa, o feedback é essencial para a melhoria de tudo e todos. Quando dizem que as áreas criativas têm muita colaboração é porque sem o outro, qualquer projeto irá demorar mais a ser executado e desenvolvido, e ainda corre o risco de não alcançar sua máxima em excelência, o que seria um heartbreaking para um criativo. Nessas horas, além da divisão de tarefas, trazer o feedback durante todo o processo fará com que qualquer projeto cresça e floresça mais rápido e melhor. E por que não aplicar esse valor em todas as indústrias, além da criativa?

Seja você o primeiro passo dessa mudança.

> Artigo Ih!Criei publicados no portal Whow.

Arte da capa: Yukai Du

Quanto custa a inovação?

Se não há orçamento adequado para tornar algo tangível, há uma grande probabilidade da ideia ir por água abaixo ou a estrutura ser precária

Deixa eu te fazer uma pergunta, a sua empresa ou a empresa na qual você trabalha separa um “budget criativo”, de acordo com o que é preciso ter para tirar as ideias do papel ou de acordo com o que se tem disponível? Por experiência de trabalho no mercado criativo, observo que a segunda opção é a majoritária, infelizmente. É algo que precisamos urgentemente mudar em nossa cultura. Seja por falta de compreensão dos processos criativos envolvidos em toda uma ideia ou por desvalorizar o trabalho criativo em si, que essa cultura está enraizada: geralmente o que ocorre é que há um budget geral pré-estabelecido de investimentos em inovação ou produtos criativos para, em seguida, ocorrer uma fragmentação da verba para essas transformações/criações serem feitas.

Ao meu ver, esse é o pior começo para uma ideia sair do papel já que o inverso seria mais estratégico e com propensão a ter menos falhas.   

Antes de sair fazendo o que vem à mente ou aquelas “urgências” para se manter competitivo e atualizado, é preciso, minimamente, fazer uma pesquisa para o entendimento de quanto dinheiro é preciso para tangibilizar uma ideia. E a probabilidade de prejuízos de dinheiro e tempo, aumenta. Tanto para quem cria quanto para quem solicita a criação. Por isso, se não há orçamento adequado para tornar algo tangível, há uma grande probabilidade de acontecer duas coisas: ou a ideia vai por água abaixo durante o processo, gerando perdas de dinheiro, tempo e a história toda que você já deve conhecer, ou, a estrutura envolvida para realizá-la será precária, e quem sofre são os profissionais criativos e os coordenadores da operação, quando não, o cliente ao acessar o produto ou serviço criado.   

Sem contar que pode não se obter os resultados desejados, não porque criar algo é sempre um risco (e por isso não dá pra saber se vai dar certo ou não), mas porque o planejamento financeiro de toda a operação junto a equipe podem ter sido péssimos. É preciso compreender que as áreas de criação também precisam adquirir a cultura do “risco planejado”. Enquanto o fator principal para o desenvolvimento de uma criação ― o dinheiro ― não for bem resolvido, teremos problemas por toda a parte e o famoso “jeito criativo” de fazer muito com nada. Isso não é sustentável. Uma estrutura precária, limitações de um criativo para determinada função e uma ideia aprovada sem a consciência do budget criativo envolvido é um caminho certo para um resultado não satisfatório. 

Um adendo: antes de aprofundarmos na discussão, é bom deixar claro que budget criativo não é somente a “verba de marketing”. O trabalho criativo dentro de uma empresa, que busca inovação, vai muito além deste departamento. 

Tudo que envolve a inovação, envolve a criatividade

Tudo que envolve inovação, envolve criatividade. Memorize essa frase e use-a quando alguém pedir algo novo na sua empresa ou inovador. Por exemplo, se a empresa precisa se aprofundar nos desejos de seu público-alvo é preciso investir em pesquisas internas e externas com todos stakeholders. Ainda nessa linha de hábitos de consumo, é preciso que haja investimentos na parte da tecnologia para trazer novas soluções e possibilidades de negócios, desde modos de operação até novidades de produtos ou serviços para seus clientes. Outro investimento é quando vamos definir onde as pessoas irão se encontrar, seja em um espaço físico ou digital. Quais são os melhores ambientes ou plataformas? Em quais estruturas vamos investir agora para melhorar a comunicação e a produtividade?

Há também investimentos em produtos mais elaborados que devem ser pensados quando a empresa quer ir além da Comunicação Instantânea (uma das 5 categorias na nova classificação IH!CRIEI para a Economia Criativaengloba áreas como Design Gráfico, Multimídias, Artes Visuais e Publicidade & Marketing). Por exemplo, quando se deseja criar experiências criativas e imersivas,  que tragam maior conexão com seu público, e onde eles possam se relacionar com a empresa de uma forma muito mais profunda, como em games, web séries, jogos, livros e etc. E, por fim, quando queremos trazer repertório cultural e experiências diferenciadas para aprender mais sobre outras culturas e, quem sabe, proporcionar conhecimento para novas ideias e conexões entre os colaboradores e os clientes, é importante investir em atividades ou serviços de MultiCulturas, que englobam áreas como Gastronomia, Moda, Artesanato, Música e Dança.

Agora que você está mais consciente de que investir em criatividade para gerar inovação em uma empresa vai muito além da “verba do marketing”, é importante compreender que cada área criativa tem um valor diferente e que não pode vir de um budget fragmentado sem noção. Para te ajudar, tenha em mente cinco elementos iniciais para avaliar quanto custa um produto criativo: complexidade da ideia, impacto desejado, valor agregado e quantidade ou funções dos profissionais envolvidos, tempo de execução e custos operacionais. Esses elementos devem ser respondidos pelos criativos contratados ― e não pelo seu superior,

Se você fizer a lição de casa, há boas chances da ideia sair do papel como se imaginado. E como saber se é hora de mudar ou investir?

Observação é a chave da inovação

Por exemplo, você olha para o site da sua empresa e percebe que pode torná-lo muito mais atrativo e didático para que o cliente tenha a tal da experiência agradável de compra ou mesmo da visualização dos serviços oferecidos a ele; quer também que as pessoas tenham o hábito de voltar para ver o que há de novo; assim como espera que o site seja recomendado pelos clientes/usuários nas suas respectivas redes sociais. E por aí vai. 

Agora, veja que somente neste único produto criativo, no caso o site, você deverá separar um budget criativo que envolve: tecnologia, pesquisa, design, fotografias, audiovisual, multimídias… são muitas áreas a serem consideradas para uma estratégia completa de investimento. Com sua formação e conhecimento atual, já entende como chegar ao melhor resultado em cada uma delas e tem total conhecimento de valores de mercado ― o tangível e o intangível ― e funcionamento de trabalho e estrutura necessárias para um bom resultado? Se sim, ótimo!! Caso contrário, estar consciente disso é o primeiro passo para mudar esse modo de “operar a criatividade e a inovação” da empresa.

Afinal, se o orçamento para a construção de uma ideia já está pré-determinado sem saber com profundidade todas as áreas e funções criativas envolvidas, assim como seus valores e custos, me parece investir numa terra de ninguém. O fato é que se você tiver conhecimento ou curiosidade de saber sobre todas as áreas criativas envolvidas na melhoria de um produto talvez, não se assuste tanto, quando a conta chegar.

“É preciso valorizar cada elemento da construção criativa e, principalmente, fazer com que haja uma sintonia entre todas elas, assim, a obra se torna um trabalho colaborativo de verdade e não uma criação com retalhos de ideias desconexos.”

Insights para não errar 

Para finalizar, é importante saber que irá se deparar com uma série de empresas ou profissionais que surgem com soluções ou serviços para criar suas ideias. Essas soluções custam dinheiro – seja ela pronta ou a ser desenvolvida. Portanto, para não pagar caro demais por uma solução ou barato demais a ponto de você ter dor de cabeça, procure entender a empresa ou profissionais criativos que você irá contratar. Comece com essas perguntas:

  1. Qual é o estilo de trabalho da empresa ou do criativo envolvido? 
  2. Qual é a energia colocada por parte do criativo e dos colaboradores e líderes envolvidos naquela ideia ? 
  3. Qual é a estrutura oferecida de ambas as partes? 
  4. Qual é o tempo necessário do criativo para executar a ideia e par que a sua empresa possa acompanhar e avaliar a construção dela? 

> Artigo Ih!Criei publicados no portal Whow.

Arte da capa: Yukai Du

A criatividade como valor humano

Para inovar é preciso mudar os valores da empresa, começando a entender que a criatividade é um valor humano e não pode ser ensinada

Como pessoa criativa e profissional criativa – sim há diferenças – temo que, se as empresas não entenderem que só há inovação em um ambiente onde a criatividade é vista como um valor – portanto permitida, incentivada e valorizada – todo e qualquer investimento em pessoas ou departamentos no que tange “o desenvolvimento de colaboradores que criam ou que tragam ideias diferentes” pode ir por água abaixo.

Para entender como tornar o ambiente de sua empresa um espaço que permite a criatividade das pessoas, você deve entender a diferença entre pessoas criativas e profissionais criativos, a importância de uma atmosfera propícia à expressão de ideias e a compreensão de que criatividade não é algo que pode ser ensinado, pois é uma expressão humana e autêntica, logo, de alto valor. 

Pessoa criativa e profissional criativo

Isso gera discussão sempre que falamos “os criativos” em uma roda onde o tema é a criatividade. E às vezes até briga porque simplesmente não há o entendimento do que é uma pessoa criativa e o que é um profissional criativo. É simples. 

Pessoa criativa é aquela que consegue expressar suas ideias diferenciadas quando se tem a oportunidade e espaço para isso. É uma pessoa que vai dizer as coisas que viu, ouviu, sentiu, criou dentro de si. É uma pessoa que consome o que ela quer, e consegue provar a importância desse repertório para um projeto, uma ideia ou um negócio. Ela não teme compartilhar, criticar e traz o seu ponto de vista pra roda. 

Profissional criativo é um especialista que aprendeu técnicas para transformar ideias em algo real, tangível em que se almeja um determinado resultado como, por exemplo, uma música (através dos instrumentos musicais), uma fotografia (através de uma máquina fotográfica), uma pintura (através de pincel e tinta), um site (através de códigos), e por aí vai. Ou seja, é um especialista que usa uma ou mais “ferramentas técnicas” para chegar a um objetivo. É claro, que, há uma tendência dos profissionais criativos em serem também pessoas criativas, afinal, uma das coisas que atrai os que entram para a Indústria Criativa é exatamente essa: a possibilidade de criar e trazer sua autoria (ou voz) no trabalho a ser executado.

Por isso, antes de sair investindo, é importante entender o que a empresa deseja: desenvolver pessoas a serem mais criativas, ou seja, a se expressarem mais, a ter permissão para trazer sua voz, a ter mais autonomia, mais liberdade e diversidade quanto a ideias, ou, a empresa deseja treinar pessoas para desenvolverem habilidades técnicas criativas para que possam criar mais soluções inovadoras embasadas em conhecimento prático? 

A criatividade não pode ser ensinada 

 Algo que sempre me incomodou é ouvir “especialistas” dizendo que criatividade é algo a ser ensinado. Eu acho isso um terreno perigoso que pode levar muita gente a frustração. Seja porque a pessoa estará o tempo todo se “avaliando como uma pessoa criativa ou não” ao comparar suas ideias com as dos outros, ou, caso ela começar a “mostrar sua voz” mediante o seu repertório atual, será inibida pelo ambiente ao seu redor, seja porque não há espaço para ouvir ideias contrárias, de risco, estranhas ou de outra “bolha”. Não se ensina a ser criativo, se permite ou não, ser criativo. 

Vou explicar o por quê. Ensinar é você explicar como algo deve ser feito esperando chegar em um determinado resultado. Caso esse resultado saia diferente, ou você não aprendeu a fazer direito ou instrutor não ensinou direito.

Um exemplo prático: uma receita. Alguém te ensina a fazer uma receita na qual, ao juntar os ingredientes você deverá obter um sabor e aparência desejada. Se o resultado não ficar exatamente como foi “ensinado”, alguma coisa deu errado, você, a receita, os ingredientes, ou o chef da receita. Isso não é criatividade. Isso é repetição. Ensinar é repetir fórmulas testadas e aprovadas, como uma receita, uma conta, uma planilha, um post pra rede social, a produção de leite numa fazenda. Isso não é criatividade, isso é re-produção.

No mundo dos criativos chamamos de aprendizado tudo aquilo que envolve o aprendizado de técnicas que, ao serem aplicadas, funcionam e entregam resultados. Isso não é criatividade, isso é técnica criativa que alguém ensinou. Técnicas criativas são técnicas usadas para transformar uma ideia em algo tangível. 

Portanto, criatividade, no âmbito das ideias, tem a ver com o que cada um é, suas histórias, suas vivências, sua forma de ver o mundo. E é a junção de dois ou mais mundos – ou membros de uma equipe – que traz à tona as ideias criativas. Esses dois mundos diferentes podem estar na sua cabeça e você criar algo incrível sozinho? Sim, mas note que, foi você, sendo você quem decidiu suas próprias referências, onde decidiu explorar, de acordo com suas características e personalidade, e não alguém dizendo “consuma isso ou aquilo” para ser mais criativo. Se alguém te sugeriu ver algo novo, isso não é ensinar criatividade, isso é sugestão de experimentação que, inclusive, pode ou não trazer mais ideias.

Entende por que criatividade, no âmbito das ideias, não é algo que pode ser ensinado? Não há certezas de que se você consumir tais e tais coisas, trará aquelas referências, porque talvez elas não façam sentido para quem você é ou como você pensa, e, se fizer sentido, terá sido uma experimentação que passou por um filtro chamado: VOCÊ. Se a gente adotar a ideia de que criatividade pode ser ensinada, voltaremos ao passado: um bando aprendendo Como Ser Mais Criativo e se tornam iguais criativamente. Por isso, ensinar criatividade é uma bobagem. 

“Ter criatividade expressa em ideias é ter, antes de tudo, a liberdade de ser quem você é, com suas referências, vivências, escolhas.”

Agora, se estamos falando de ensinar criatividade tecnicamente, aí sim, faz todo sentido, pois isso pode ser ensinado. E, se a intenção da empresa ou negócio for trabalhar com 100% de profissionais criativos, é extremamente importante trazer essa cultura de valorização da criatividade, para que as ideias desses criativos especialistas venham à tona. Porque o que vemos hoje são profissionais criativos não sendo pessoas criativas por conta do ambiente ou do estilo de liderança ou de gestão dos setores em que atuam. O resultado? Acabam se tornando meros técnicos criativos, que, na primeira oportunidade irão criar startups ou ser freelancers onde poderão ter voz, liberdade, autonomia e, finalmente, serem criativos em sua totalidade – mente e técnica.

Portanto, antes de sair treinando equipes para serem mais criativas, é preciso enxergar a criatividade como um valor humano dentro da empresa. Parece até meio maluco pensar que ainda, em muitos ambientes como educação, trabalho, lugares públicos ou até privados, ainda somos impedidos de ser algo que faz parte do ser humano. E um ser humano que não se expressa, é um ser humano morto por dentro – o que dirá, ser criativo. 

 Diagnóstico e um caminho sem volta 

Uma pessoa criativa é alguém que se expressa e traz coisas que viu, ouviu, sentiu, criou dentro de si e compartilhou. Sua empresa dá essa liberdade de expressão verdadeiramente? Uma pessoa criativa vai querer testar coisas que muita gente não vai entender, gostar ou achar bom. Sua empresa permite possíveis rejeições por parte do público? Uma pessoa criativa irá pensar e executar a ideia sem medo. Sua empresa se permite correr riscos?

Um exemplo do mundo da música que representa bem essas três perguntas é a música “Bohemian Rhapsody”, do Queen, que só existiu porque tinham elementos para uma ideia criativa sair do papel: profissionais criativos e liberdade de criação de pessoas criativas. A banda teve liberdade de expor o que estava dentro deles, recebeu feedbacks muito negativos, após a divulgação e, ainda assim, acreditavam na obra-prima que criaram e, por isso, estavam prontos para correr o risco e serem rejeitados – embora isso fosse 0% de possibilidade na cabeça deles. Fazia sentido para eles aquela criação muito bem trabalhada e orquestrada, ainda, que não desse certo por alguma razão. Logo, se na sua empresa não há espaço para todas essas condições, não há espaço para criatividade existir, e muito menos, pessoas criativas.

Comece criando ambientes de testes de participação geral da equipe e do público, promova atividades ou proponha desafios que estimulem as expressões humanas de seus colaboradores e clientes, permita que ideias sejam colocadas em prática, não apenas a que foi escolhida pelos cabeças, dê oportunidade para aquelas plurais e pouco prováveis de dar certo também. Para isso, treine seus colaboradores para serem técnicos criativos e saberem mostrar o que querem dizer. Assim, ao invés de rejeitar ideias, você vai transformá-las em realidade e, se for algo realmente diferente, arrisque, comunique, distribua e veja o resultado antes de descartar – no mínimo, terá um super estudo aplicado e testado.

Também incentive e permita o contato direto das ideias de todos com os profissionais criativos, afinal, dar ideias criativas sem a participação deles é como fazer um bolo de quiabo. Sem um técnico criativo para ampliar e construir a criação – neste caso, um chef de cozinha – que irá lhe dizer as possibilidades e probabilidades do que pode ser feito, do dinheiro investido, à criação em si, o tempo de dedicação, ferramentas, etc –  daquilo que se imaginou se tornar tangível. Por isso, invista em profissionais criativos, além de uma equipe de pessoas criativas. É um combo poderoso e que abre espaço para todos.

E tenha consciência de que criatividade é algo tão poderoso que pode transformar tudo. E transformação é mudança. Mudança é risco. Risco é algo que o ser humano não sabe lidar muito bem, ou pelo menos algumas pessoas e empresas. E confesso que ainda tenho dúvidas se o mundo está realmente preparado para pessoas criativas e se as empresas estão realmente preparadas para lidar com esse ambiente de pessoas criativas.

“Ao meu ver, temos duas missões para que a cultura da inovação aconteça: a de estimular as ideias criativas e a de estar preparado para criar essas ideias. E, claro, ter a consciência de que o resultado é sempre incerto e, assim como é a vida, imprevisível.”

> Artigo Ih!Criei publicados no portal Whow.

Arte da capa: Yukai Du

Transformação digital
através da criatividade

Só quando se observou a obtenção de lucro, é que muitas marcas e empresas tradicionais começaram a prestar mais atenção neste mercado digital

Os futuristas advertem: A crise gerada pela pandemia do novo coronavírus irá acelerar exponencialmente a transformação digital. A forma como iremos trabalhar irá mudar, bem como consumir produtos e serviços. E a demanda por serviços digitais será cada vez maior. Não existe setor da economia ou tamanho de negócio que possa afirmar “eu não tenho necessidade de investir no digital”. E você, ainda duvida dessas previsões?

Eu não. Acredito, por experiência própria, que negócios que não investirem no digital agora realmente estarão na linha de fogo de serem engolidos pelos concorrentes que investirem. E a pergunta que me faço quando o assunto é discutir mudanças e novas ideias para o mundo dos negócios é sempre essa: por que ainda tem empresas que não estão investindo em uma transformação digital ou por que parece tão difícil a mudança ou abertura para esse modelo de negócios?

Podemos encontrar várias razões. Seja pelo desenvolvimento de uma formação educativa pouco adequada à realidade ou prática para implementar essas novas ideias, ou por haver novas tecnologias com sistemas ou códigos complexos, pela adaptação das diferentes formas de trabalhar, consumir e vender em constante fase de experimentação, sociedades cada vez mais conectadas porém diversas, indivíduos muito bem informados e ágeis, grupos influenciadores, consumidores mais exigentes e a possibilidade customização de tudo. Tudo isso, faz com que a vida, que já é complexa, pareça ainda mais.

Transformação digital ligada às áreas criativas

Como então iniciar uma transformação em um ambiente que parece se ter pouca familiaridade ou experiência? Quais são os apoios que precisa para que ocorra essa mudança? Que áreas profissionais você deverá conhecer, para que esse desejo de expandir ou até migrar para o digital se torne uma realidade? No mínimo, são perguntas e questionamentos de alguém que quer movimento. Afinal, estamos sempre querendo aprender o como fazer as coisas, seja conseguir realizar as ideias, lidar com as emoções e relações ou saber como mudar de A para B.

“O fato é que essa construção digital está totalmente ligada às áreas criativas, e, muita gente tem pouco ou nenhum conhecimento sobre a importância, o custo e os processos envolvidos para que a ideia aconteça”

E só há duas maneiras de você entender isso: sendo de alguma das áreas técnicas criativas que executa as ideias, a partir de uma especialidade adquirida ao longo de anos de experiência, ou trabalhando em/com uma equipe de especialistas criativos que vai mostrar tudo que dá para fazer, como desenvolver as ideias e todas possibilidades reais e tangíveis e, que também estejam alinhados com o mundo dos negócios.

Portanto, não esqueça: tudo que envolve o digital terá a participação de diversas áreas criativas em seus processos e etapas.

Um negócio físico e tradicional também? Sim. Porém, no meio digital 100% da construção, desenvolvimento e distribuição é criativa, porque a base envolve algo que muita gente ainda tem medo ou não sabe lidar bem: a tecnologia. Mas para o negócio digital funcionar como um todo, há uma engenhoca de profissionais criativos – afora a área da tecnologia ―  que farão a máquina girar.

Neste artigo, vou apresentar os dois setores iniciais da Economia Criativa que irão te ajudar nesse processo de criação, transição ou implementação digital.

Internet: uma relação de medo e prazer

Antes de começar a entender quais você deve incluir na sua estratégia de negócio digital, é importante refletir, ainda que brevemente, sobre o início da relação entre Internet, consumidores e empresas, e o cenário atual.

Falando especificamente em consumo, comprar pela Internet nos anos 90, ainda era algo duvidoso por ser um ambiente pouco conhecido. Com o decorrer dos anos, as especulações e a insegurança foram perdendo força, e hoje, a Internet se tornou parte essencial de nossas vidas. Ao menos, no quesito compras online e consumo de informação, educação e entretenimento pela Internet, o medo é praticamente inexistente. Nota-se que foram poucos anos para que as pessoas perdessem o medo, começassem a comprar e gostar (e muito!) dessa autonomia, praticidade e liberdade de escolhas.

Um exemplo prático é o mundo dos e-commerces. Segundo reportagem da revista Exame, essas empresas já estavam crescendo na casa dos 20% ao ano no Brasil, e com a quarentena, além do aumento no número de vendas, o isolamento levou a um fenômeno diferente: a busca por novos produtos. Ou seja, novos mercados que ainda não estão ou não estavam atuando on-line, passaram a estar no mundo digital.

Se seus clientes ainda não estão habituados a comprar seu produto ou serviço on-line, uma vez que você ofereça um ambiente seguro, fácil e tranquilo de comprar ou consumir, é tudo uma questão de mudança de hábito. E quem deve iniciar esse movimento é você (ou sua empresa) ―, pois se você não fizer, alguém fará. E se você já iniciou, procure sempre melhorar, porque sempre dá  ― criativos que o digam!

Agora, um exemplo rápido e prático, mas invertido. Se você é cliente de uma loja de produtos x, porém ela atualmente só existe no mundo físico e somente oferece comprar presencialmente. Assim que surgir algo similar ou até diferente (algo novo) e que te agrade na mesma medida, só que com o diferencial de comprar on-line, qual você acha que tem maiores chances de venda? No passado poderia até dizer “a física, pois as pessoas preferem ver, tocar, sentir”. Fato. Todos preferimos ver, tocar e sentir as coisas. Somos humanos, adoramos usar nossos sentidos. Mas, quando a gente confia, conhece a marca, é bem atendido, há muitas coisas que, de alguma forma ou outra “ver, tocar, sentir” se tornam menos relevantes e não tem tanta importância para efetuar uma compra.

“Só quando se percebeu essa de mudança de comportamento e, consequentemente, a obtenção lucro, é que muitas marcas e empresas tradicionais que jamais pensaram em investir no on-line, começaram a prestar mais atenção neste mercado”

Portanto, agora, é a sua vez de investir nessa transformação. E por onde a coisa sai do papel?

Criativo, me ajuda aí!

Para começar, eu investiria tempo e dinheiro em duas: Hábitos Human+Tech e Comunicação Instantânea*. Quando falamos em influenciar e prever comportamentos, mudança de hábitos futuros das pessoas através de dados e informações que poderão ser coletados de diversas formas, estamos conversando com os profissionais de Hábitos Human+Tech. Esse setor criativo engloba as áreas de Pesquisas e Tecnologia, e o objetivo é aprimorar ou criar novas informações e ferramentas.

Na área de pesquisa, a ideia é analisar constantemente todo o estilo de vida do público a ser atingido, investigando e entendendo os hábitos dessas pessoas, tanto no mundo físico quanto no digital, obter análises e constituir uma boa base de informação para que a empresa possa partir para a segunda etapa: o do aprimoramento e construção da tecnologia/ferramenta.

Nesse momento, com o entendimento das necessidades e incômodos das pessoas anteriormente pesquisadas por parte de toda a empresa ― e não só os criativos ― torna-se possível pensar, ter ideias e criar o negócio digital (produto ou serviço) mais adequado. Além disso, você passa a não só atender e resolver o problema de uma demanda, como poderá  influenciar uma mudança de comportamento na sociedade ― e isso tem um peso enorme para a marca.

Outra área que deve ser pensada e bem preparada é da Comunicação Instantânea de sua empresa. Esse setor criativo vai te ajudar a comunicar a mensagem ou informação do seu produto ou serviço para o público, através de diversas “táticas e ideias” criativas que podem ser desde uma fotografia impactante, uma ilustração de conexão, um design elaborado, um post bem escrito, um podcast esclarecedor, um vídeo certeiro, ou até uma ação de marketing de guerrilha, ou todas essas ações simultaneamente em diferentes canais.

O conjunto desses elementos criativos que transformam mensagens ou informações em conteúdos atrativos para vender ou ganhar espaço no consumo digital, consegue atingir uma gama de gostos e consumidores diferentes, porém que consomem o mesmo produto ou serviço. Por isso, devem estar sempre bem calibrados e atualizados.

Espaços de Convivência, StoryMídias e Multiculturas para inovar

E, para concluir com uma dose de otimismo, vamos olhar a realidade atual: hoje é muito mais barato ter um espaço, ainda que você tenha que conquistá-lo nas mídias que se relacionam diretamente com seu público-alvo, seja através das redes sociais, blogs ou portais. Também temos muito mais tempo disponível ― se pensarmos em uma organização de trabalho remoto com flexibilidade e autonomia, além dos serviços que facilitam nosso dia a dia. E por fim, o alto volume de conhecimento disponível e de pessoas ativas para construirmos o que desejarmos… poxa! Estamos bem melhor para evoluir nesse setor, não acha?

Quer inovar? Então, comece. O mar está pra peixe, sim.

Existem outros três setores criativos que também contribuem para a transformação da sua empresa. São eles: os Espaços de Convivência, quando falamos em estrutura física e de convivência social da empresa; StoryMídias, quando falamos em conteúdos mais profundos, interativos e de uma gama criativa que vai trabalhar a imaginação e imersão do público; e Multiculturas quando queremos propor experiências de intercâmbio entre as pessoas. Mas, acredito que este último entre como uma etapa mais “avançada”, depois de percorrer por as duas primeiras.

Então, se você está na fase inicial da transição, ou se ela já está em andamento, mas sente que não estão suficientes para uma expansão de público, foque em ajustar a Comunicação Instantânea e nas estratégias dos resultados dos Hábitos Human+Tech de sua audiência e seus clientes.

Tenha em mente que, compreender o mundo dos criativos irá ajudar sua empresa ou o setor em que você trabalha a ter uma visão mais ampla sobre as possibilidades de novos negócios.

Criatividade tem a ver com conhecer tecnicamente todas as formas, seus custos, e tempo de criação. Por isso, avaliar como está o engajamento da sua equipe criativa com todos os setores, ou se a gama de fornecedores criativos que você tem poderão te auxiliar nessa transformação, é essencial. E para que você possa direcionar e se comunicar melhor com esses criativos é extremamente importante você compreender como eles trabalham, o que precisam, e todos os processos envolvidos. Só assim você poderá ser mais certeiro, desde as ideias até a execução das mesmas.

E, se você acha que todo mundo está no on-line, que você não pode concorrer com as grandes empresas ou que todos estão muito bem preparados pra vender e agradar clientes, acredite, há campos e oportunidade para todos.

*Ambas as categorias fazem parte da nova classificação da IH!CRIEI, empresa de pesquisa e desenvolvimento criativo que tem como intuito para organizar e compreender melhor as funções práticas da Economia Criativa na sociedade e nos negócios.

> Artigo Ih!Criei publicados no portal Whow.

Arte da capa: Yukai Du

Conheça formas de produzir e consumir
criatividade no mundo digital

É hora de aprender coisas novas e compreender como se adaptar às mudanças aceleradas pela pandemia e a tecnologia 

Transformação digital é um tema recorrente nas redes sociais, mídias, eventos e corporações. E, tem ganhado cada vez mais espaço no mercado criativo que, assim como outros, não estava preparado para uma mudança tão instantânea.

Segundo dados da Raconteur, 95% dos profissionais de TI disseram que a prioridade em tecnologia aumentou durante a covid-19. Embora 76% expressam certa preocupação com o impacto a longo prazo da transformação digital que já foram implementadas sem haver boas estratégias ou de fato uma necessidade, diversos modelos de negócios estão ganhando força e crescendo em todas as áreas em que a criatividade é produzida e consumida. 

Para quem está buscando essa mudança, os impactos vão desde a ampliação do alcance de público, o aumento da oferta de serviços e produtos até a criação de novas e diferentes experiências com os clientes ou público. Porém, para acelerar esse processo na prática, é preciso entender quais são as principais barreiras que os profissionais estão enfrentando para desenvolver seus negócios on-line. Neste artigo, vou apresentar alguns exemplos de pequenas, médias e grandes empresas do mercado criativo que estão a todo vapor realizando essa transformação digital ou criando novos modelos de negócios para os seus nichos.

As primeiras barreiras

Mudança de mentalidade, capacitação e recursos financeiros são as primeiras barreiras que travam qualquer profissional ou negócio criativo a pensar, desenvolver e investir no meio digital. Diversos setores como shows, eventos, teatro, espetáculos, rua, vivências, entre outras áreas que tinham seus modelos pautados exclusivamente no presencial, não estavam preparados ou com capital de giro para mudar tão rapidamente. Muitas empresas fecharam e muitos profissionais ficaram estagnados também por não conseguirem se adaptar ou saber por onde começar.

Como mostra o estudo sobre os impactos da covid-19, feito pela FGV este ano, quase metade das empresas criativas tiveram seus projetos suspensos (sem data certa para retomada) e 42,1% tiverem projetos cancelados. Ou seja, apenas um número micro não teve alteração em suas atividades. Além disso, 63,4% das empresas entrevistadas não acreditam que possam funcionar em meio a restrição de circulação de pessoas. 

Isso deixa claro a falta de conhecimento sobre as possibilidades de atuação no mercado digital, além da capacitação e recursos para tal. Ainda que muitos não consigam ou não saibam operar um negócio ou atividade criativa de forma não presencial, o relatório apontou que outras área da economia criativa, como games e softwares, aumentaram suas atividades e rentabilidade devido ao uso de recursos digitais para a produção e comercialização de seus produtos e serviços.

Portanto, é preciso repensar e decidir quais são as possibilidades para cada setor e ver o que temos de soluções já testadas ou o que precisamos criar.

Faça algumas perguntas como por exemplo: Existe algum produto ou serviço que facilite sua ideia ou atividade criativa para o digital? Quais seriam as plataformas que podem servir de modelos de negócio? Quais são as que se pode trabalhar remotamente? O que precisa ser criado que ninguém fez ou o que pode ser melhorado? Que tipos de negócios estão em crescimento nas áreas criativas?

Lembrando que no âmbito individual, quem não puder investir no negócio ou em capacitação, por exemplo, e não quiser depender de iniciativas públicas ou privadas, terá que começar por outros caminhos, como aprender a colaborar e se expor para novas parcerias ou se juntar a outros profissionais que têm o mesmo objetivo ou plano de negócios e já estão mais familiarizados com o digital. 

“A principal questão é fazer com que o mercado criativo repense na possibilidade de usar a tecnologia digital a favor da diversidade de negócios para além do presencial, proporcionando novos caminhos e benefícios tanto para quem a consome, quanto para quem a produz.”

O mercado da criatividade na prática

Embora muitos profissionais criativos ainda não se sintam parte dessa transformação digital, praticamente todos os setores criativos estão no mundo on-line. Na área de multiculturas, por exemplo, quem trabalha com artesanato viu uma grande oportunidade de expandir a venda de seus produtos e se fazer existente. Um exemplo é o e-commerce Tucum Brasil que oferta uma variedade enorme de produtos criados e produzidos por cerca 18 comunidades indígenas brasileiras. Outros como a empresa Artsiber, focada no nicho de produtos para motociclistas e com produção feita por artesãos brasileiros de todo o canto do país, começou sua operação via redes sociais e neste ano lançou seu marketplace com foco na expansão da marca e vendas. 

Já na música, artistas têm feito shows online ofertando experiências intimistas e privadas com os próprios artistas ou rentabilizando através de doações ao vivo quando  abertas ao público. Já na área de eventos, temos o próprio Whow! Festival, focado em inovação para negócios e o mundo corporativo, e a Pixel Show um dos maiores da área criativa, ambos sempre realizados em formato presencial e que agora se preparam para o formato digital. 

Além disso, muitos profissionais criativos têm ampliado suas atividades atuando também nas áreas de capacitação em gestão ou desenvolvimento de carreira. Esse é o caso do canal do youtube Música em Rede, que irá lançar em novembro sua própria plataforma de música com treinamentos, cursos, aulas ao vivo, além da parte burocrática como planilhas, modelos de contratos, checklist, grupos, alerta de editais e festivais para os profissionais da área.

Seguindo nessa linha, vemos a expansão criativa no ensino via streaming, com plataformas como a espanhola Domestika, a peruana Crehana e americana MasterClass que estão revolucionando o mercado de aprendizagem profissional criativa no mundo todo, trazendo formatos e experiências que agrada — e muito! — a esse público, e um tanto diferentes do EaD ofertados por faculdades e universidades. 

Isso sem contar no mercado de freelancers em diversas áreas criativas como animação, roteiro, design que podem atuar de forma independente para o mundo todo ou através do mercado de apps, como Upwork, Fiverr, Twine, Freelancer, Workana entre outros. No Brasil, por exemplo, ainda há um certo preconceito com esse modelo de negócio, por que ele “barateia” a criatividade. Mas, quem trabalha com isso de forma organizada está ganhando muito bem, como você poderá ler no relato para o portal IH!CRIEI, do colombiano David Silva, que vive no Brasil há mais de dois anos e garante conseguir renda de até R$ 6.000,00 por mês nessas plataformas on-line. 

Novas experiências e desafios

E para citar um exemplo de atividade unicamente presencial, o Núcleo Teatro de Imersão tem transformado o modo de contar histórias pelo meio digital através de experiências imersivas de teatro online. Seguindo neste nicho, a startup brasileira Cennarium, oferece via streaming o acesso a espetáculos e peças de teatro do mundo inteiro.

Isso tudo prova que é uma questão de adaptabilidade, criatividade e, principalmente, abrir a mente para novas possibilidades e parcerias.

Tudo são flores? Claro que não.

Sabemos que quem entra para o mundo das plataformas, aplicativos e meio digital sofre com outros fatores. Um deles é saber que o ticket de vendas no digital, ou seja, o valor pago pelo público, tende a ser bem menor do que o presencial por diversas variantes que vão desde a concorrência até o tipo de experiência ofertado.

Logo, o esforço em atrair público e se fazer ser visto e desejado é muito maior. Por outro lado, o fato de estar no on-line, possibilita uma estrutura sem limites físicos e geográficos e com grandes chances de receber o acesso de 100.000 pessoas em invés de 1.200 lugares, o que pode ser bem mais lucrativo, além de impactar muito mais gente. O mesmo vale para a área de serviços que pode chegar demandas do mundo todo — e ter o prazer de receber o pagamento em moedas mais fortes.

Diante disso, temos três constatações:

  1. As áreas criativas têm espaço no mundo digital para diferentes modelos de negócios e trabalho; 
  2. É preciso investir em capacitação em gestão, tecnologia e estratégia para executar e criar produtos novas neste ambiente; 
  3. Incentivar governos, empresas privadas e organizações que valorizam (além do discurso) o mundo da criatividade, a investir em boas ideias, seja para grupos ou profissionais criativos que não possuem o acesso a todas essas oportunidades, seja para os que estiverem cheios de boas intenções de expandir seu talento no mundo digital. 

Agora você já sabe por onde começar, certo?

> Artigo Ih!Criei publicados no portal Whow.

Arte da capa: Scott Balmer

O valor da autonomia e criatividade
através do trabalho remoto

Dar autonomia pode ser o primeiro passo para uma cultura mais inovadora dentro das empresas e uma sociedade mais criativa no mundo

Nesta primeira coluna para o Whow!, quero aproveitar o momento de adaptação ao trabalho remoto em áreas como gestão, vendas, operação, atendimento e estratégia, entre outras, para trazer uma reflexão sobre como a atual crise poderá iniciar ou acelerar um movimento de transformação cultural e criativa nas corporações mais tradicionais. Costumeiramente resistentes às mudanças, essas empresas estão conscientes de que para estar presente e atuante em um mercado acelerado, dinâmico e competitivo, já era tempo de mudar. O difícil é sempre saber: por onde começar.

Embora os fatores que levaram muitas pessoas a repensarem o modo de operação de suas vidas tenha sido através do isolamento social – uma medida emergencial para conter a disseminação da COVID-19 – é oportuno que, durante este período de quarentena, gestores e colaboradores comecem a agir para ver o que irão fazer de diferente daqui pra frente depois que tudo passar, porque vai passar.

Adaptação e o trabalho remoto

Primeiro, vale lembrar que uma boa parte das pessoas ainda não está acostumada a acordar e trabalhar no mesmo lugar. Os sentimentos e comportamentos estão confusos. Alegria, alívio, relaxamento, (uma possível) procrastinação, solidão, incômodo, desorganização, dúvidas, ansiedade, medo. Leva-se tempo para conseguir gerenciar esse monte de questões internas, não? Mas se você encarar este momento como um possível novo estilo de vida, algo que vai beneficiar muita gente (redução no trânsito, poluição, custos, etc) ou até um desafio de autoconhecimento e crescimento pessoal, a mudança é mais do que bem-vinda.

Portanto, durante esse período de experimentação, as empresas que virem valor nessa transição terão transformado o que era uma vontade para uma realidade. Mas isso dependerá da adaptação de todos – dos colaboradores ao fundador. O que exige treino, esforço e muito diálogo entre todos.

“Num futuro próximo, não haverá empresas. Pelo menos, não como elas são hoje. Seremos todos freelancers/autônomos/profissionais liberais. Você poderá exercer a atividade que bem entender. Num dia será decorador, no outro músico ou administrador pela manhã, e na semana seguinte, professor de jiu jitsu”, escreveu Tiago Mattos, futurista e fundador das escolas Perestroika e Aeroli.to, em seu livro de “Vai lá e Faz. Ou seja, esse estilo e comportamento vai depender do interesse e da capacidade de cada um e das mudanças nos ambientes de trabalho. O fato é que só será permitido isso se houver mais flexibilidade, trabalho remoto… e autonomia.

Pois é. A primeira palavra que me veio à mente, quando muitas empresas tomaram a decisão de que iriam continuar em operação no formato home office, foi autonomia. A palavra deriva do grego autós, que significa si próprio, e nomos, que significa lei. Ou seja, de um modo geral, ter autonomia é o mesmo que criar a própria lei.

Desenvolvimento da cultura inovadora

Olhando dessa forma, a última coisa que qualquer gestor ofereceria aos seus colaboradores é autonomia no trabalho. Mas não é bem assim. Como profissional da área criativa há mais de 14 anos, quem acha que ter autonomia é fazer o que bem entender, está totalmente enganado. “Só é possível criar a própria lei quando se conhece os próprios limites”, me ensinou o professor de filosofia Adriano Bechara.

E nós, criativos, temos plena consciência de que para criar é preciso saber os limites – os meus, da empresa, da equipe e do contexto em que a criação está inserida. Ter autonomia no mundo criativo é permitir que a criatividade aconteça dentro das próprias limitações. Aliás, autonomia é um dos princípios mais importantes para criar. Sem ela, nos sentimos sufocados, inúteis e meros criativos-especialistas-executores de ideias que, nem sempre, são tão boas assim.

E o que tudo isso tem a ver com “viver uma cultura criativa”? Sendo autonomia um dos pilares de um trabalho criativo – uma vez que você deixa com que as pessoas escolham como irão gerenciar suas próprias atividades de trabalho, permite que haja tempo e liberdade para novas ideias surgirem, além de manter a produtividade.

A consequência disso pode ser uma elevação na criatividade em toda a sua empresa. Afinal, esse comportamento de SER mais autônomo é um comportamento criativo muito comum nos profissionais das áreas da Economia Criativa. De uma forma geral, podemos dizer que os criativos são mais “acostumados” a um ambiente com mais autonomia para trabalhar. Isso porque boa parte são freelancers ou empreendedores, e, os que trabalham para empresas maiores e costumam operar no “modelo tradicional”, ou seja, com horários, divisões de departamentos, metas diárias ou semanais, burocrático, geralmente tem uma rotina e um ambiente muito mais flexível, despojado, e, até certo ponto, um tanto autônomo se comparado com as outras indústrias. Portanto, quando falamos em cultura criativa ou cultura de inovação precisamos fazer uma análise de quais comportamentos permitimos dentro de uma corporação.

Por exemplo, o quanto de autonomia a sua empresa oferece aos seus colaboradores e gestores? Diante desse momento de experimentação obrigatória do trabalho remoto (para os que têm esse privilégio) como está o gerenciamento de equipes a distância? Ou, se você é colaborador, o quanto de foco, produtividade e autogestão tem conseguido trabalhando em casa? Caso tenha tido qualquer dificuldade – ou ainda esteja tendo – de adaptação, significa que muito provavelmente a sua empresa estava longe de dar qualquer autonomia a todos –, perdendo pontos para a criação de uma cultura criativa.

Já se a transição está sendo fácil ou até razoável, é porque a cultura da autonomia já estava se desenvolvendo sem você perceber. Em qual momento a sua empresa está hoje?

Nova mentalidade com o trabalho remoto

O mundo está percebendo que existem diversas rotinas, procedimentos, atividades e comportamentos adotados pelo mundo corporativo que o trabalho remoto mostrou serem totalmente desnecessários. Reuniões serem presenciais, é uma das que custa admitir a inutilidade. Ou, pensar em quais realmente são necessárias. Talvez as que envolvem mais pessoas ou processos criativos e de brainstorming?

Já aquelas de números, análises e resultados, novas estratégias da empresa não seriam mais eficientes, objetivas e produtivas se fossem feitas de forma remota? Ou, saindo da pauta de reuniões, atividades que você sabe que passará o dia todo no computador, porque nestes dias, não fazer um home office? Quais dias realmente são precisos um deslocamento para ir ao trabalho e quais poderiam fazer remotamente? Indo mais além, por que o colaborador ou gestor de uma empresa também não poderia escolher o que é melhor para aquela semana, dia ou atividade?

Não é ficar só em casa trabalhando ou só no escritório trabalhando. É a escolha e entendimento do melhor uso do tempo. Claro que isso exige maturidade, responsabilidade, treinamento, prática, afinal, é um novo comportamento.

O fato é que essa mudança nos deu a oportunidade de discutir o porquê isso ainda não é uma escolha no ambiente de trabalho. Medo? Insegurança? Comodismo? Falta de preparação? Imaturidade? Está na hora de mudar e permitir mais escolhas.

Quem sabe, ao perceber como usamos nosso tempo e o dos outros, a gente se torne uma sociedade mais solidária, unida e preparada. Dar autonomia pode ser o primeiro passo para uma cultura mais inovadora dentro das empresas e uma sociedade mais criativa no mundo. Afinal, autonomia é sobre liberdade de escolha, ter tempo para se criar a própria rotina, trabalho ou jornada; é viver a vida de forma mais flexível; e é se aproximar mais de realmente quem somos.

Também sei que essa transformação cultural criativa requer um conjunto de mudanças em diversas frentes que vão desde comportamento individual, lideranças, ambientes, tecnologias, valores e mentalidade das pessoas. Mas acredito que fragmentar o que pode ser mudado pode ser mais fácil e prazeroso, e os resultados  sendo bons ou ruins  mais perceptíveis a todos.

Bons ou ruins? Claro! Não dá pra saber como cada um se adapta a um novo comportamento, quiçá a liberdade. Tem gente que irá pegar rápido, tem gente que se sentirá perdido e tem gente que ficará desejando que “tudo volte a ser como era antes”. Portanto, são adaptações e isso leva tempo.

Cultura criativa no pós-pandemia

Insisto em trazer duas questões que podem ajudar a criar uma cultura criativa no pós-pandemia:

1) Nossa empresa continuará com o trabalho remoto? Como se dará?

2) Permitiremos mais autonomia aos nossos colaboradores após esse período? Como se dará?

Procure sempre olhar além do momento que estamos vivendo, esse é o olhar criativo. E aí, não lhe parece uma boa pauta para a próxima call?

> Artigo Ih!Criei publicados no portal Whow.

Arte da capa: Fran Pulido

“Reaprender a imaginar. Como?”, Es Devlin

CENÓGRAFA DE SHOWS DE FAMOSOS COMO BEYONCÉ, ADELE, U2, ALÉM DE EXPOSIÇÕES E TEATRO NO MUNDO TODO

Foto: CNN

Es Devlin, um talento surreal na área da Cenografia, tem uma personalidade curiosa e bastante forte. Sua atividade consiste em criar cenários que interajam com o público. Pode ser um show, uma peça de teatro ou uma exposição. Através da luz e sombra, e da imaginação, ela quebra paredes e constrói o que não existe.

PRINCIPAIS INSIGHTS DA CENÓGRAFA ES DEVLIN CRAWFORD QUE VOCÊ PODE APLICAR AGORA NA SUA VIDA

  • Você costuma consumir conhecimento de outras áreas que não a sua? Para quem nunca trabalhou com esse tipo de profissional, fica meio perdido das inúmeras possibilidades criativas que se pode fazer em qualquer ambiente. O custo deve ser alto, mas fazer algo diferente, sempre vale a pena. O episódio te abre a mente para uma percepção nova, de uma área que talvez não seja a sua, mas que pode te dar muitas ideias para projetos que envolvam a interação com o público.
  • Como anda a prática da imaginação na sua vida? Uma coisa que parece difícil, mas está sendo muito estimulada quando o assunto é criatividade é o de reaprender a imaginar. A capacidade de Es no quesito imaginação – ou seja quando estamos pré-criando algo – é absurda! E temos quase certeza que ela só ficou boa nisso, porque a pratica constantemente, tem paixão pelo que faz e deve ser muito open mind 😉
  • Que tal aprender algo totalmente novo? Você também vai aprender os elementos criativos técnicos que são o ponto de partida das ideias alucinantes dela: Luz, Escuridão, Tempo, Proporção. Uma aula de criatividade deliciosa para se inspirar!
  • Quando foi a última vez que você tentou fazer algo além do digital? Para quem faz eventos, ações nas ruas, ou quer criar qualquer coisa nova para que haja uma diferente interação com o público, esse terceiro episódio te dará tantas ideias que vale a pena ver duas vezes, ou, ao menos anotar os insights enquanto você assiste. Sabe aquela informação que cedo ou tarde vai ajudar você em algum projeto seja na execução, como sugestão ou opinião criativa no meio da reunião? Pois é! Se quer inovar, assista esse episódio sem falta!

Quer ter mais insights a partir do seu ponto de vista? Então super recomendamos que assista a este episódio da série Abstract na Netflix! Quer saber como a primeira temporada toda abriu nossa mente? Acesse o artigo introdutório “Como a série Abstract iluminou nossa criatividade”.

E agora a obra de arte vista como um todo!

Foto da capa: site oficial da Es Devlin

“Não dá pra criar nada sem
profundidade e paixão”
Tinker Hatfield

DESIGNER DE CALÇADOS DA NIKE

Foto: Nike

Este episódio é simplesmente divertidíssimo e uma delicia de assistir! A história do designer de produtos e engenheiro Tinker Hatfield, que desenhou inúmeras coleções para a Nike, inclusive a de Michael Jordan, muito inspiradora! Como toda a carreira, o episódio mostra os altos e baixos de uma criativo e seus desafios.

Um dos principais pontos dele é a ideia de que para criar, tem que experimentar a vida, embora isso pareça óbvio, muita gente desacostumou a fazer isso…sempre procurando por RESULTADOS, ao invés de VIVER o mundo – depois de ler esse artigo, vá pra rua!rs Aproveite para mais alguns insights incríveis que tivemos.

PRINCIPAIS INSIGHTS DO DESIGNER DE CALÇADOS TINKER HATFIELD QUE VOCÊ PODE APLICAR AGORA NA SUA VIDA

  • Como anda a profundidade nas atividades que você faz? Uma das coisas interessantes é aquela ideia de que se você quer fazer algo diferente, você deve se envolver profundamente no tema em que está trabalhando. Não dá pra criar nada muito diferente sem essa imersão. A forma como Tinker trabalha e procura conhecer as pessoas e quem elas são e sua história, faz com que ele consiga imaginar o que agradaria. Isso é empatia, curiosidade e pura conexão.
  • Quando você cria algo inovador, você sabe realmente contar uma história desse produto ou serviço? Outro ponto marcante é a importância do storytelling. Aí você pensa: como um tênis pode contar uma história? A investigação, o processo criativo e o desenvolvimento por si só já é uma história. Portanto, o storytelling pode servir tanto para criar quanto para vender. Se você quer entender melhor o processo criativo, esse episódio é obrigatório.
  • Como lidar com i vício e a paixão por suas criações, sem que isso desequilibre sua vida pessoal? Outro ponto que dá pra sentir, mas não ver, é o fato da dedicação absurda que o designer tem com o trabalho, a ponto de a vida familiar ser prejudicada. Isso é uma das questões importantes a serem abordadas e refletidas no mundo da criatividade, espero que possamos trazer em outros artigos.

Quer ter mais insights a partir do seu ponto de vista? Então super recomendamos que assista a este episódio da série Abstract na Netflix! Quer saber como a primeira temporada toda abriu nossa mente? Acesse o artigo introdutório “Como a série Abstract iluminou nossa criatividade”.

Na temporada ele conta a história do tênis do filme “De Volta Para o Futuro” que a NIKE recriou e lançou com tecnologia avançada, no qual, os cadarços fecham automaticamente após a entrada do tênis e o tênis se ajusta ao seu pé

Foto da capa: Foot Gear 92

Como criar ideias a partir do nada
Christoph Niemann

ILUSTRADOR DA REVISTA AMERICANA THE NEW YORKER

Descubra como Christoph Niemann, que já criou inúmeras capas para a revista, The New Yorker, desenvolve seu trabalho. Um ponto interessante é que ele aplica a ideia de usar o tempo livre – sem pressão, sem remuneração, pura arte – para estimular a criatividade. O primeiro episódio é o único “tedioso”, mas que pode te dar vários insights! Veja alguns deles:

PRINCIPAIS INSIGHTS DO ILUSTRADOR CHRISTOPHER NIEMANN QUE VOCÊ PODE APLICAR AGORA NA SUA VIDA

  • Você tem alguma prática criativa dentro da sua atividade diária? Depois de assistir ao episódio, deu vontade de criar e fazer exercícios de desconstrução ou criação de uma imagem que já existe, por pura diversão. Por exemplo, pegar uma xícara de café e colocar em cima do papel. E desenhar algo diferente com aquele “corpo”. A ideia seria trabalhar a imaginação.
  • Você costuma reparar nas inúmeras possibilidades de interação dentro de um vídeo para sua ideia ou negócio? Para quem trabalha com cinema e audiovisual, a produtora responsável pelo episódio, criou uma interação entre a vida real e uma pós produção onde Chris interage com os objetos e brincadeiras propostas. O que deixa uma vontade enorme de aprender a fazer isso em um projeto audiovisual.
  • Como criar ideias do nada? É um episódio para quem tem curiosidade entender um pouco mais sobre como criar ideias a partir do “nada”.

Quer ter mais insights a partir do seu ponto de vista? Então super recomendamos que assista a este episódio da série Abstract na Netflix! Quer saber como a primeira temporada toda abriu nossa mente? Acesse o artigo introdutório “Como a série Abstract iluminou nossa criatividade”.

Um dos projetos cabeludos que ele criou e conta o processo neste episódio!
Aquele ideia de criar coisas com algum objeto

Para quem quiser saber o que ele faz com seu tempo livre, pode se inspirar com seu com o projeto Sunday Sketches.

Arte da capa: Site oficial do Christoph Niemann

Áreas para trabalhar
em Artes Cênicas

Quando falamos em artes cênicas geralmente estamos nos referindo a todos os tipos de exibições em palco, espetáculos, eventos ou espaços públicos.

Entre as atividades que podem ser exercidas dentro deste universo estão de técnicas de escrita, produção, elenco, direção teatral, atuação, design de cena, iluminação, som, criação musical, figurino e visagismo, construção técnica de cenário, marketing e produção executiva. Porém, dentro da área existem outras possibilidades de trabalho como a teoria teatral, dublagem, consultorias técnicas e crítico em veículos de informação.

UM PANORAMA INCIAL SOBRE O MERCADO

A principal fonte de receita e que sustentam todo esse grupos de profissionais são as bilheterias. Porém como as casas de espetáculos não publicam esses números e não fazem distinção entre artes cênicas e outros tipos de eventos como conferências corporativas, fica mais difícil contabilizar e ter números. Fora isso, muitas casas de espetáculos recebem financiamentos substanciais de patrocinadores privados e subsídios públicos que raramente são especificados.

Segundo o Guia de Carreiras, o salário de um graduado em Artes Cênicas pode variar bastante devido ao grau de formação e cidade de atuação. O salário inicial possa variar entre R$1900,00 a R$2300,00. Dependo do sucesso com o público, níveis de produção e especialização, os salários dos profissionais podem aumentar e ter uma grande variedade de cachês.

Apesar de novas leis de incentivo à cultura, o campo é bastante competitivo. No geral, os principais problemas da área são: a remuneração ruim e a falta de oportunidades/investimento para produções independentes. Por exemplo, uma proposta de lei ordinária 7032/10 aprovada em 2016 , diz que as disciplinas de artes, a música, as artes plásticas e as artes cênicas são obrigatórias nas escolas de todo o país. Isso fez com que o mercado melhorasse em seu desenvolvimento e, possivelmente, no aumento de vagas de emprego. Mas ainda assim existe muitos criativos, muita gente talentosa para poucas oportunidades.

A verdade é que nesta área você vai ter que ralar muito, e, muitas às vezes ganhar pouco – ou nada até conseguir trabalhos pagos. Por isso, sempre que houver oportunidades, procure participar nos diversos ambientes como eventos, curta-metragens, projetos na rua. E, se quiser começar a pensar além dos meios tradicionais de começar ou trabalhar, por que não, criar algo no mundo digital para expor o que você sabe ou está aprendendo desde o início?

É importante também você, desde o início, fazer um plano pra sua carreira, com metas, organização de atividades, planejamento de desenvolvimento, como fará networking, quais experiências você deseja ter e que tipos investimentos irão te ajudar na sua trajetória.

De acordo com a nova classificação @ihcriei, essa área está dentro da categoria de StoryMídias Quando quero imaginar.

Arte da capa: José Saccone

Onde estudar Artes Cênicas?

Há inúmeros cursos livres de atuação espalhados no Brasil, faculdades, escolas que preparam uma pessoa para atuar, assim como muitos outros relacionados a todas as outras atividades que você pode trabalhar no universo cênico.

Já se você deseja trabalhar em qualquer uma das áreas do famoso backstage, cenografia, iluminação, direção, produção, é bem interessante que você faça um curso técnico. Não precisa ser uma faculdade, mas é muito trabalho duro e estudo – e muita, mas muita prática.

De faculdades, citamos – baseado somente em nossas pesquisas e não possui nenhum carácter de indicação – a Anhembi Morumbi, com o curso de Teatro, em São Paulo, a Unesp, com curso em Artes Cênicas e Teatro, a UFG em Goiânia, com curso de Direção de Arte, Estética e Teoria do Teatr , na Unirio, no Rio de Janeiro, e a FAP – Faculdade de Artes do Paraná em Curitiba, com curso de Dança.

Agora se você está procurando se formar como ator ou atriz, estudar – desde cursos livres nos Sesc da vida ou numa escola formal como a Wolf Maia – é muito bom, mas a chave é praticar. Mas não praticar por praticar. Porque o que notamos é muita gente fazendo muita coisa e não melhorando, ou porque não estuda com profundidade – ou seja, busca formas de se aprimorar, investindo dinheiro e tempo nisso, -ou porque não está em grupos com orientação e estrutura adequada, desde a profissão em si, até a imersão no mercado – e esse é um problema que atinge todas as áreas criativas, uma formação mais adequada ao mercado de trabalho. Mas isso, é tema pra outro artigo. Uma dica? Experiências diversificadas e muita prática. Comece a entrar em grupos que estão em atividade ou conhecer bons profissionais (frequentando seus espaços de encontro) que possam oferecer oportunidades a você. Ou, se você tem dificuldade de fazer networking, é interessante entrar em uma companhia de teatro e talvez uma agência de atores.

Da mesma forma que em cinema, nem todos viram grandes diretores de Hollywood, nem todo mundo vai produzir – ou atuar – na Broadway ou do Cirque du Soleil – que aliás, são locais muito exigentes em perfomance – reduzindo muitas vezes a carreira do profissional, por conta do desgaste físico. Por isso é importante você ter em mente suas ambições e todo o seu planejamento de carreira – sua jornada de onde você está, aonde você quer chegar.

E você que é criativo, dessa área ou de outras, procure sempre incentivar produções locais e independentes, porque pouco a pouco isso ajuda a melhorar o nosso mercado.

Em muitos países, inclusive no Brasil, existem coletivos e espaços onde você pode praticar através de uma atividade real, como por exemplo, produções de curta-metragem experimental, sempre precisam de atores/atrizes. Essa é uma parte de nossa experiência dentro da categoria StoryMídias – Cinema (uma das quais somos especialista)

E no mundo da dança, ópera, balé e circo? Nos ajudemir a descobrir!

Arte da capa: Yukai Du

Ideias e Insights para começar a
explorar a sua carreira na música

Uma ideia maravilhosa que a gente presenciou desde o início é o Street Music Map, criado por Daniel Bacchieri, a intenção era ter um espaço em que as pessoas pudessem enviar vídeos ao redor do mundo todo – geralmente quando estavam viajando – de músicos de rua. Pense: quantas vezes você não se encantou com um artista “desconhecido” de rua e quis compartilhar o talento dele? Aliás, muitos desses tipos de vídeos são virais exatamente pelo carácter surpreendente de um artista que nos encanta! Pois é, Daniel criou a conta no Instagram e o projeto cresceu! Hoje, sabe qual o modelo de negócios dele? Virou um curador musical para eventos! Sim, uma vez que ele “descobre” junto com o mundo colaborativo das pessoas enviam para ele os vídeos dos artistas, ele pode muito bem levar esses artistas para eventos e, isso, é um trabalho também, chama-se: curadoria musical para eventos. Pois é, ele teve a ideia e criou o próprio trabalho, uma outra tendência do futuro – A autonomia de criar o próprio trabalho. Veremos isso em outro artigo, ok?

Outro exemplo que adoramos (uma empresa com uma função antiga, mas totalmente repaginada e feita de forma inovadora) é a Banana Music Branding, uma agência/curadora que conecta artistas independentes a grandes marcas. O diferencial é que eles tem uma linguagem muito acolhedora e moderna, além de eventualmente fazerem pesquisas de branding para os artistas, ajudando-os no desenvolvimento da carreira e esse relacionamento com marcas. E eles tem outros modelos de negócios que focam muito em experiências, vendas e claro, o talento do criativo para que isso aconteça. Vale a pena conhecer – e se você é músico – se apresentar a essa galera e, depois se lembrar nos contar a sua experiência. Ok?

Agora, percebem um ponto em comum nos dois negócios: curadoria. Hoje, com o excesso de oportunidades, informação e produtos, é preciso que haja pessoas ou empresas que façam esse “filtro” para ajudar a organizar tanta coisa! Ah, mais isso não limita o conhecimento? Claro que não! Podemos ter muitos curadores e cada um atrairá o publico de acordo com sua abordagem, conteúdo, comunicação e jeito de fazer. Nós, por exemplo, também somos uma mídia curadora que tem como missão, organizar a Economia Criativa para que ela seja vista de um nova forma, e seja cada vez mais valorizada por conta de sua potência tripla: criatividade + técnica + distribuição. Saber fazer isso gera audiência, negócios, lucro. E quem escolhe uma profissão criativa, está fazendo o que ama e sendo remunerado – e bem remunerado, caso ele domine o mundo dos negócios. Não é maravilhoso? Nós achamos também e vamos ajudar todos vocês com isso. Combinedes?

Arte da capa: Tania Yakunova